1. Por onde começar?
Para ter acesso aos títulos públicos do Tesouro Direto, é preciso ter conta em um banco ou corretora. Nos bancos mais conhecidos, geralmente se paga muito caro para ter acesso a esses papéis. Banco do Brasil, Itaú e Bradesco, por exemplo, cobram cerca de 0,5 por cento de taxa sobre o seu investimento.
Então, sugerimos sempre que você procure uma corretora que cobre ZERO de taxa! Há várias delas, mas as mais conhecidas são a XP e a Easynvest.
2. Quando posso resgatar meus investimentos?
O resgate pode ser feito todo dia útil e cai na sua conta da corretora no dia útil seguinte à operação. Ou seja, se você pedir o resgate na segunda-feira, o dinheiro estará na sua conta na terça. E, ao contrário da poupança, o título vai render os juros do dia todos os dias. Por exemplo, na poupança, se você investe um valor no dia 1º e retira no dia 29, seu dinheiro não rende um tostão, pois não completou a data de “mesversário”. No Tesouro Direto, todo dia seu investimento rende, e, se você o resgatar no meio do mês, embolsará a rentabilidade proporcional aos dias em que seu dinheiro ficou investido.
3. Quais são as taxas e os impostos que incidem sobre os títulos do Tesouro?
São três taxas diferentes: taxa da B3, IOF e Imposto de Renda.
A taxa da B3 é de 0,30 por cento ao ano (cobrada a cada semestre, proporcionalmente ao período pelo qual você carregou o título) sobre o valor total do investimento. Para se ter uma ideia, essa taxa transforma a rentabilidade do Tesouro Selic (LFT), que rende 100 por cento do seu benchmark, em cerca de 97 a 98 por cento da Selic aproximadamente, a depender do patamar em que ela se encontra.
Conclusão: a rentabilidade total é praticamente inalterada. E acho que não é preciso falar que o argumento do gerente (de que não há taxas) para você investir em CDB, que paga 95 por cento do CDI, não cola, não é mesmo?
A incidência do Imposto de Renda e do IOF é a mesma para todos os investimentos de renda fixa, como CDBs e debêntures — exceção feita para LCIs, LCAs e algumas debêntures incentivadas, que são isentas.
Tanto o IR como o IOF seguem tabelas regressivas. No Imposto de Renda, a partir de dois anos de investimento, a alíquota cai para 15 por cento. No caso do IOF, a alíquota chega a ZERO depois que o investimento completa 30 dias.
Para consultar as tabelas, basta dar um Google: tabela regressiva IR e tabela regressiva IOF.
Então, por exemplo, se você investir no Tesouro Selic pelo período de um ano, você receberá:
100 por cento da Selic menos 0,30 por cento da taxa da B3 = 97 por cento da Selic
Deduzindo o IR de 17,5 por cento, o resultado seria 79 por cento da Selic.
3.1 Quanto renderia a poupança no mesmo período?
Pela regra da poupança, esse rendimento seria de 70 por cento da taxa Selic. Ou seja, o título atrelado à Selic, mesmo pagando taxa e impostos, renderia 113 por cento da poupança. Nada mal, não é mesmo?
Em um ano isso pode até não fazer tanta diferença, mas ao longo de 30 anos de investimento, pelo efeito de juros compostos, isso representa 125,4 por cento a mais de rentabilidade. Em outras palavras, a cada 1 mil reais investidos, depois de 30 anos você ganharia mais 3 mil reais com a poupança. Porém, com o Tesouro Selic o ganho seria de mais 4 mil reais (considerando juros de 7 por cento ao ano). São 1 mil reais de diferença!
4. Se eu compro, em ocasiões diferentes, o mesmo título, qual será vendido pelo Tesouro Direto primeiro?
Essa é uma das perguntas mais frequente. Os investidores ficam preocupados em vender títulos que eles acabaram de comprar. Mas não há com que se preocupar. O Tesouro Direto sempre irá vender o título mais antigo, ou seja, o que você comprou primeiro, de forma que você se beneficie o máximo possível com o Imposto de Renda regressivo.
5. Qual título devo comprar?
Essa é a pergunta mais importante!
O Tesouro Direto possui três tipos de títulos diferentes: Tesouro Selic (ou LFT), Tesouro IPCA+ (ou NTN-B) e Tesouro Prefixado (LTN ou NTN-F).
O Tesouro Selic renderá sempre a taxa Selic. Não tem surpresas. Por isso, ele é o principal substituto da caderneta de poupança e dos CDBs de taxas baixas (e o mais recomendado para quem não quer correr nenhum risco).
Cada título se comporta de uma forma diferente e pode render muito melhor em determinados períodos de acordo com o ciclo de alta ou queda da Selic, bem como as taxas de mercado.
Ou seja, se estamos em um período em que as taxas estão subindo, a rentabilidade de um título se sobressairá à dos outros. E o contrário também ocorre em um ciclo de queda, quando determinado título poderá performar melhor.
Para saber qual título comprar, é necessário fazer uma análise macro para prever qual será a tendência dos juros mais à frente.
Por: Marília Fontes
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